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Dom Evaristo, o cardeal da resistência

Publicado: Terça, 14 de Mai de 2019, 15h31 | Última atualização em Sexta, 21 de Junho de 2019, 13h57 | Acessos: 182

                                         

 Evaristo, o cardeal da resistência

Assim ficou conhecido Paulo Evaristo Arns (1921-2016), padre franciscano, arcebispo emérito de São Paulo e cardeal brasileiro. Sua ação pastoral esteve voltada a defesa e promoção dos direitos humanos e foi de extrema importância na luta contra as torturas praticadas pelo governo militar brasileiro (1964-1985) e na ajuda aos perseguidos políticos.

O material bruto da TV Tupi exibe parte de uma entrevista em que d. Evaristo responde a perguntas pré-gravadas para o Programa Flávio Cavalcanti de 1979. Apenas o cardeal aparece, em dois diferentes ângulos, respondendo as mesmas perguntas. A esse material, seriam somadas ainda, as perguntas do apresentador.

Ao longo da entrevista, d. Evaristo argumenta sobre o editorial do jornal O Globo “Flores de Moscou”, de 03 de outubro de 1979, que o acusa de receber, em missa celebrada em São Paulo, Gregório Bezerra, recém-chegado de Moscou. Ex-sargento do exército e ex-deputado eleito em 1945 pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), Gregório Bezerra foi imediatamente preso após o golpe de 1964 quando tentava organizar a resistência armada de camponeses em Pernambuco. Condenado a 19 anos de prisão, passou por vários episódios de tortura e, em 1969, foi solto em troca do embaixador americano Charles Elbrick, sequestrado por grupos armados de oposição ao governo. Ficou cerca de dez anos exilado em Cuba e na União Soviética. Com a anistia, voltou ao Brasil em agosto de 1979.

Questionado sobre a linha teológica, evangélica e pastoral da arquidiocese de São Paulo, que segundo o jornal estaria cada vez mais desviada do magistério tradicional da Igreja, d. Paulo responde que apenas recebeu “um homem de 80 anos, sofrido, que voltava do exílio, agradecendo o que o cardeal havia feito por aqueles que sofreram na prisão”. D. Evaristo responde que todas as críticas atingem o povo de Deus e de São Paulo, que definiu pelo voto todo plano pastoral e ecumênico.

O cardeal falou ainda sobre um encontro com estudantes em Uberaba, onde reafirmou sua posição sobre o comunismo e o Partido Comunista: todos os países democráticos têm partidos comunistas legais, portanto, é favorável a legalização do PC e de outras correntes políticas. É preciso respeitar o direito de cada cidadão de exprimir seus ideais, reunir-se e se organizar, desde que respeitem os direitos humanos. É melhor saber quem são os comunistas e como é, do que ficar combatendo fantasmas, afirmou d. Paulo. Todavia, a Igreja de São Paulo advertia que os católicos deveriam estar atentos para não se envolverem com partidos cuja doutrina contraria a doutrina católica.

Termina sua entrevista ressaltando a importância de não chamar de comunistas todos que trabalham pelos pobres e os presos, como ele próprio, que dedicou sua vida em favor dos mais pobres, na defesa dos direitos humanos, no apoio incondicional aos menores abandonados, aos presos políticos e às famílias desaparecidos. 

Arns se destacou pela coragem de denunciar a tortura dos anos de chumbo e, clandestinamente, com a ajuda do rabino Henry Sobel e do pastor Jaime Wright, em 1979, criaram o projeto Brasil: Nunca Mais, cujo objetivo era documentar os crimes da ditadura. A obra, que demorou seis anos para ser finalizada e contou com a participação de 30 pesquisadores, revelou informações contidas em mais de 850 mil páginas de 707 processos do Superior Tribunal Militar, apontado como uma das maiores contribuições ao registro dos crimes de Estado cometidos durante o governo militar.

Segundo o site do projeto (http://bnmdigital.mpf.mp.br/pt-br/), “o BNM teve três principais objetivos: evitar que os processos judiciais por crimes políticos fossem destruídos com o fim da ditadura militar, tal como ocorreu ao final do Estado Novo; obter e divulgar informações sobre torturas praticadas pela repressão política; e estimular a educação em direitos humanos.”

Como reconhecimento por sua obra humanitária, Dom Paulo recebeu vários prêmios no Brasil e no exterior, como o Prêmio Nansen do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), o Prêmio Niwano da Paz (Japão), e o Prêmio Internacional Letelier-Moffitt de Direitos Humanos (EUA).

 Video: BR RJANRIO NO.0.FIL.710

Leia mais em:

 

CARVALHO, Ricardo. O cardeal da resistência: as muitas vidas de dom Paulo Evaristo Arns. São Paulo: Instituto Vladimir Herzog, 2013.

 

RIBEIRO, Antonio Carlos. D. Paulo Evaristo Arns e sua luta pelos direitos humanos no Brasil durante a ditadura (1964-1984): um estudo de bioética. São Paulo, 2015. Disponível em: http://site.fdv.br/wp-content/uploads/2017/03/03-D.-Paulo-Evaristo-Arns-e-sua-luta-pelos-direitos-humanos-Antonio-Carlos-Ribeiro.pdf Acesso em 20 de abril de 2019.

 

ARQUIDIOCESE, DE SÃO PAULO. Brasil: nunca mais. Petrópolis: Vozes, 1985.

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