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O Correio da Manhã

Publicado: Terça, 16 de Outubro de 2018, 13h58 | Última atualização em Terça, 16 de Outubro de 2018, 14h02 | Acessos: 105

 

Correio da Manhã: um grande jornal

Fundado por Edmundo Bittencourt, em 15 de junho de 1901, o Correio da Manhã permaneceu sob direção de membros da sua família até 1969, quando foi arrendado por Maurício Nunes de Alencar. Circulou até os anos 1970 na cidade do Rio de Janeiro, mas era um jornal carioca que todo o Brasil lia. Durante a maior parte da sua jornada, atuou de forma independente, legalista e oposicionista em diversos momentos em que ser oposição custava muito caro.

Declarando-se isento de qualquer tipo de compromisso partidário, o Correio da Manhã apresentou-se como o defensor “da causa da justiça, da lavoura e do comércio, isto é, do direito do povo, de seu bem-estar e de suas liberdades”. O jornal não hesitou em romper com os governos da República Velha, voltando sua atenção para os problemas enfrentados por camadas menos privilegiadas da população, posicionando-se contra aumentos nas passagens de bonde e a vacina obrigatória, por exemplo. Evaristo de Morais, um de seus colaboradores, chamava a atenção para a atuação de movimentos operários, e para a legislação draconiana existente no Brasil em relação a tais movimentos. Admitia, contudo, colaboradores dos mais diversos espectros políticos, contanto que mantivessem seu ponto de vista crítico e independente, propondo-se a agir como uma frente organizada anti-situação.

Edmundo Bittencourt aposentou-se às vésperas do Movimento de 1930, passando o comando do periódico para seu filho, Paulo. Apoiou o nome de Vargas nas eleições de 1930 e, quando da derrubada de Washington Luiz, deixou claro que defendia formas constitucionais de governo e eleições verdadeiramente livres. Censores instalaram-se nas redações a partir de novembro de 1937, com a instauração do Estado Novo. As críticas permaneceram nas páginas do jornal, mas de forma tão sutil que poucos percebiam.

No período democrático entre 1945 e 1964, o Correio manteve a defesa dos princípios liberais sem se alinhar com nenhum partido atuante, escolhendo antes as causas a defender. Por exemplo, embora se posicionasse contra o monopólio estatal da exploração do petróleo, o jornal passou a defender a Petrobras ferrenhamente contra aquilo que chamavam de “usos políticos” da empresa.

Através de editoriais, o jornal foi um dos muitos órgãos de imprensa da época a incitar a queda de João Goulart, deposto no golpe de março de 1964. O alinhamento com o novo governo, contudo, foi breve. O primeiro ato institucional de Castelo Branco indicou claramente que o golpe teria vida longa, ameaçando seriamente as liberdades democráticas (inclusive a liberdade de imprensa) sempre defendidas pelo jornal, insinuando inclusive que o novo governo fazia vista grossa a práticas terroristas por parte dos seus próprios agentes. Daí em diante, o jornal passou a denunciar ações de tortura, prisões arbitrárias e perseguições a políticos de oposição, o que lhe custou anunciantes públicos e privados.

Em dezembro de 1968 uma bomba explodiu na sua agência de anúncios classificados, em um edifício na avenida Rio Branco, centro do Rio de Janeiro. Dias depois, já à sombra do AI-5, censores militares se instalaram na redação, submetendo-a (e a outros jornais país afora) a censura prévia. Com a suspensão desta, e a saída dos militares das suas dependências, o Correio lançou uma edição relatando os abusos que não pudera noticiar nas semanas anteriores. A então diretora do jornal, Niomar Moniz Sodré Bittencourt, foi presa e levada para Bangu.

A pressão política e a asfixia financeira foram demais para o jornal, que acabou por pedir concordata em 1969. A triste história de como seus arrendatários deixaram-no morrer é curta, pois em 1974 seu patrimônio físico foi a leilão.

Adquirida em leilão e doada ao Arquivo Nacional, a documentação presente no fundo Correio da Manhã inclui recortes de jornal, filmes, caricaturas, plantas, mapas, cartazes, e – literalmente – milhões de fotografias.

Na imagem, o fundador do jornal Edmundo Bittencourt e sua esposa Amália, acompanhados de jornalistas. [193-], fundo Correio da Manhã.

O acervo do Arquivo Nacional pode ser consultado em http://an/sian/Seguranca/Principal.asp

Para conhecer um pouco mais sobre o Correio da Manhã:

ANDRADE, Jeferson Ribeiro de. Um jornal assassinado : a última batalha do Correio da Manhã. Rio de Janeiro. J. Olympio

COSTA, Luís R. A. O Correio da Manhã e a UDN: primeiras notas (1945-1950). Trabalho apresentado no GT História da Imprensa durante o XI Encontro Nacional de História da Mídia – Alcar 2017. Universidade Presbiteriana Mackenzie.

https://bndigital.bn.gov.br/artigos/correio-da-manha/

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