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Guerra fria

Publicado: Segunda, 24 de Setembro de 2018, 12h42 | Última atualização em Quarta, 24 de Outubro de 2018, 14h15 | Acessos: 193

No início dos anos 1960, o mundo assistiu com horror a hostilidade entre Estados Unidos e União Soviética alcançar um perigoso patamar, que culminou na crise dos mísseis de Cuba em 1962. Após uma fracassada tentativa de invasão de Cuba por parte dos Estados Unidos, o premier soviético Nikita Krushev dispõe-se a instalar mísseis em território cubano, a pedido de Fidel Castro. A iniciativa quase resultou em desastre e também foi abortada.

Ao longo de décadas as duas superpotências enfrentaram-se indiretamente em guerras ao redor do mundo (Coréia, Vietnã, Afeganistão), mas nunca chegaram às vias de fato. O enfrentamento direto entre ambos os países dava-se no campo da propaganda ideológica e da disputa no campo econômico. Por exemplo, na América Latina, que os Estados Unidos sempre consideraram seu quintal, qualquer discurso em favor de políticas nacionalistas, melhor distribuição de renda e controle sobre qualquer atividade econômica era imediatamente apontado como comunista e, portanto, perigoso.

O golpe militar de 1964 posicionou-se contra aquilo que percebia (e vendia) como uma ameaça comunista, e desde o início os governos militares se colocaram radicalmente contra qualquer discurso que lhes fosse contrário, que imediatamente passavam a acusar de “comunista.” Essa paranoia resultou em uma verdadeira guerra, alinhada com a guerra fria internacional, e sustentada por uma ideologia de segurança nacional que, desde décadas antes, apontava para a existência de um suposto inimigo interno a ser combatido sem pena. E quem determinava quem era ou não o inimigo interno?

A criação do Serviço Nacional de Informações 1964 marcou o início da construção de um aparato que articulava a espionagem e a as forças policiais de repressão sob as mais variadas formas, paulatinamente fechando o cerco àqueles que se opunham à crescente limitação do direito de propor rumos diferentes para o país.

Os relatórios produzidos pelo SNI informavam a respeito de atividades de indivíduos e organizações suspeitos de subversão. Avaliando tanto o comportamento dos seus alvos como a situação nacional e internacional em geral o SNI fornecia subsídios para a atuação dos órgãos de repressão – em especial, as Delegacias de Ordem Pública e Social, criadas ainda nos anos 1920 e utilizadas como centros de tortura durante o governo de Getúlio Vargas de 1937 a 1945.

No período que se seguiu ao AI-5 a atuação de grupos armados ganhou maior força, e vários grupos (VPR, VAR-Palmares, MR-8, ALN) passaram a abrigar aqueles que haviam sido expulsos das formas legais de contestação ou militantes que sempre acreditaram na via armada como forma de transformação. A luta armada foi esmagada com relativa facilidade. Marcada em especial por assaltos, bombas em dependências próximas as das forças armadas e policiais, sequestro de diplomatas, as ações dos guerrilheiros acabaram por alimentar a propaganda anti-comunista do governo e a consequente paranóia da ameaça vermelha, utilizada como justificativa para o autoritarismo crescente.

Material de propaganda de organizações de esquerda, apreendido pelo DOPS/RS em 1970, após investigações realizadas com o objetivo de apurar os responsáveis pela tentativa de seqüestro do cônsul norte-americano Curtis Cutter. Porto Alegre, RS, s.d. SNI. Arquivo Nacional. BR DFANBSB V8.MIC, GNC.AAA.70028292

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