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Recuperando antigos jornais

Publicado: Quarta, 29 de Agosto de 2018, 18h27 | Última atualização em Terça, 11 de Setembro de 2018, 12h39 | Acessos: 120

Primeira página do jornal comunista União de Ferro, anos 1930

 

Em 1929, a Internacional Comunista comunicou aos seus pares brasileiros do Partido Comunista a determinação de se criar  um grupo que realizasse uma propaganda política junto às forças armadas e estruturar uma estratégia mais específica para os militares. Iniciativa pioneira, foi inicialmente encabeçada por Leôncio Basbaum. Apesar da expulsão deste do Partido, a força do Antimil, como este grupo era chamado,  foi um dos fatores decisivos para que os levantes de 1935 ocorressem em quartéis em Natal, Recife e Rio de Janeiro, onde sua organização era mais forte. Esta atuação junto às forças armadas perdurou pelas décadas seguintes, estando o partido na ilegalidade ou não.

O Arquivo Nacional possui um grande número de periódicos em seu acervo. Parte deste acervo encontra-se na biblioteca da instituição, podendo ser acessada em uma base de dados própria. No entanto, os acervos privados possuem um sem número de jornais de diversos períodos, assim como alguns fundos dos acervos judiciários, já que estes guardam processos em que muitas vezes jornais eram anexados como prova. É o caso do periódico União de Ferro, que foi a voz do Setor Militar até 1935. O exemplar aqui apresentado tem suas margens carcomidas, e como parte do acervo manuscrito do Arquivo Nacional cujo suporte é o papel, precisa de uma intervenção restauradora, realizada pela equipe de Preservação da instituição.

 

Restaurando um documento

A primeira ação da equipe é realizar um diagnóstico do documento em questão, durante o qual é feita uma avaliação do documento e das etapas necessárias para sua recuperação.

O documento em suporte de papel pode estar contaminado ou infestado por várias formas de vida, microscópicas ou não. Ele pode também estar passando por um processo de acidificação, causado por condições ambientais, ou até por influência da tinta utilizada para escrever o documento. Assim, o documento é higienizado em água deionizada. Depois que o documento está livre das sujidades, ele é colocado para secar. Caso seja necessário reconstituir o material (recompor o papel), o documento passará por um processo de reenfibragem feita com massa de celulose fabricada no Arquivo Nacional. Este processo preenche as falhas do documento e fortalece as fibras do papel.

[Com a colaboração de Lídia Cristina Guimarães e Paulo Fernando Alves Vieira, da equipe de preservação do Arquivo Nacional)

Processo crime contra Carlos Marighella, maio de 1937. C8.0.PCR.2613.  Tribunal de Segurança Nacional.

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